LAY

Many Brazilian women are neither given the freedom to express their sexuality nor given a space to be and feel comfortable in their own skin. In a culture where they are often suppressed, hyper-sexualized, and objectified, women, especially Afro-Brazilian women, find it difficult to navigate their lives when faced with violence, racism and misogyny, daily.

Artists like LAY have given women across Brazil hope for a better tomorrow. LAY unapologetically asserts herself in the male dominated industry of Rap Latino/Brasilero. Her lyrics have been inciting social criticism by voicing the ongoing battle of oppression as an Afro-Brazilian woman and sharing how she chooses to express herself as care-free and explicit. LAY is revolutionizing the way women are seen in Brazilian media by reclaiming her voice and body; and as a result, she is liberating other women to fight through the bullshit and live their truth, by any means necessary.

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LARI

Who are your musical influences?

 

LAY

My street. My musical influence has always been reggae and its ramifications. It was in reggae that I learned the meaning of things like “originality” and “feminism.” Through artists like Patra, Lady Saw, Spice, Sister Nancy, through all them and all the dancehall queens that fought and fight for sexuality and freedom of speech into an extreme sexist country. After that, I was introduced to punk rock, where I learned the meaning of “attitude” and “strength.”  I’ve got a lot of this in my life and art. From pop to “erudite” music, I expose myself to a lot of different music, so I there are a lot of different kinds of music that influence me.

 

 

LARI

What was your inspiration behind writing Ghetto Women?

 

LAY

My music is about my reality, the stories of my life: a black, poor, inner city woman. They are my main inspiration. They make me grow, get stronger, and more mature, in the reality of a third world country, with crooked up politics and battered black people. Facing the racism and the prejudice, getting myself acknowledged as a human–women–will free the world! This song came from my guts: there is pain, love, passion, angst. THIS IS LIFE!

 

LARI

I love that you have this “I Don’t Give A Fuck” - punk attitude with a strong voice, that shines light on the reality of women in Brazil through music. As a female rapper/artist who is unapologetic when speaking about womanhood and your experiences as a woman -  how do you feel about your music breaking barriers in Brazil and across the world? And how important is it for you to express your experiences as a woman in your music?

 

 

LAY

I feel strong! This proved to me, and every other Brazilian that our music literally smashes the walls – around here we have our own walls! Cheer up, and I love to cheer up with other Brazilians, because every victory is ours! The thing about getting my art/music/image broadcasted is about being heard as a whole person, and being able to talk about everything without fear or taboo. That’s absolutely important not just for me, but for all black women.

 

LARI

As a black woman, who was born and raised in Osasco, and as woman who doesn’t fit the standard or the societal expectations of what and how women should act and look like, how does your identity shape your music?  And how do you see it inspiring other women?

 

LAY

Every human being inspires me, and I hope to inspire every other person. This would be a fair exchange to everyone! I try not to follow patterns: I am creating and deconstructing my own reality, and that feeds my truth. That’s the way that I feed the imperfect personality that brings life into my work. There are women and men that are touched by my art, and they bring me different feedback. Of course I believe that a lot of women are inspired by my EP, as I was inspired by a ton of other women of different walks of life. But I am fully conscious of the role of “129129” in the Brazilian music industry.

 

 

LARI

If there was one thing you’d like to say to women, especially to women of colour who challenge the status quo in music, art, and style,(advice or words of encouragement), what would you say to them?

 

LAY

Find your own truth. Believe in yourself. Struggle, fight, be assured that that’s your best. When the world brings you down, get up. Don’t give up. Everything that is yours is yours!

 

LARI

What do you say to all the sexist, misogynistic men out there who have a problem with you and your music?

 

LAY

To the sexist men (and women) that have any issue with me and my music, let me say just one thing: our difference is that I am only worried about my own life, my own work; to give love to the people that love me; to grow up, develop, transcend, make love, smile, love myself, read more books.  I’ve learned that I should let anybody behind me. Fuck everybody with bad vibes. Life is short and I’ve got so much stuff to learn. I think it’s a fair dream, don’t you? Good luck, bbys ;)

 

 

Intro: Sy Rohoman
Interview & Photography: Larissa Zaidan
Translation: Amauro Gonzo & Larissa Zaidan

Issue 01: Not For Sale 2018

 

 

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Muitas mulheres brasileiras não têm a liberdade de expressar sua sexualidade, nem têm espaço para se sentirem confortáveis em sua própria pele. Em uma cultura em que elas são constantemente suprimidas, hipersexualizadas e objetificadas, as mulheres, especialmente as afro-brasileiras, se deparam com violência, racismo e misoginia diariamente.

Artistas como a LAY dão às mulheres de todo o Brasil uma esperança por um amanhã melhor. A LAY se afirma em uma indústria de rap latino/brasileiro dominada por homens. Suas letras têm provocado uma crítica social por expressar a longa batalha contra a opressão sendo uma mulher negra no Brasil, além dela optar em se expressar para o público como uma mulher livre e explícita. A LAY está revolucionando a forma como as mulheres são vistas pela mídia brasileira ao recuperar suas vozes e corpos. Como resultado disso, ela tem ajudado outras mulheres a lutar contra os obstáculos e a viver suas próprias verdades.

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LARI

Quem são suas influências musicais?

 

LAY

Minha escola musical de rua sempre foi o Reggae e suas vertentes. Foi no reggae que eu descobri o significado de palavras como ‘’originalidade’’ e ‘’feminismo’’ através de cantoras jamaicanas como Patra, Lady Saw, Spice, Sister Nancy,… entre todas elas e as dancehall queens na luta pela liberdade sexual e liberdade de expressão dentro de um país extremamente machista. Logo depois fui apresentada ao punk rock e descobri o significado de palavras como ‘’atitude’’ e ‘’força’’. Trago muito dessas influências para o meu trabalho. Do pop à música clássica, eu me exponho a diferentes tipos de música, então todas me influenciam.

 

LARI

Qual foi a inspiração na hora de escrever Ghetto Woman?

 

LAY

Minhas músicas dizem sobre a minha realidade, minhas histórias de vida são minhas inspirações, eu mulher preta brasileira periférica, me fortalecendo, crescendo e amadurecendo dentro de um país de Terceiro Mundo com uma politica vergonhosa e um povo sofrido pra caralho. Enfrentando o racismo, o preconceito, me impondo como ser humano: mulher liberta! É um som visceral, ele tem dor, tem amor, tem paixão, tem angustia. TEM VIDA!

 

LARI

Eu amo que você tem essa atitude punk-tô-pouco-me-fodendo com essa voz poderosa, que através da música, mostra a realidade da mulher no Brasil. Como uma cantora/rapper que não mede palavras quando fala sobre feminilidade e suas experiências enquanto mulher – como você se sente sobre a sua música quebrando barreiras no Brasil e ao redor do mundo? E o quão importante é para você poder expressar essas experiências femininas em forma de música?

 

LAY

Me sinto forte! Isso comprova pra mim e todos brasileiros a força da nossa música literalmente quebrando barreiras, pois pra quem da a cara a tapa barreira é o que mais tem por aqui! Vibra, todos os brasileiros devem vibrar comigo. Essa vitória é nossa! A importância de registrar a minha vida em forma de arte/ música/ imagem é ser ouvida, dizer sobre e falar sobre tudo sem tabus e sem medo. Isso é importante não só pra mim mais para todas as mulheres negras.

 

LARI

Como uma mulher negra, nascida e criada em Osasco, e como uma mulher que não se adequa às expectativas sociais ou aos padrões de como uma mulher deveria se comportar e aparentar, como a sua identidade dá forma à sua música? Você a vê inspirando outras mulheres?

 

LAY

Sou inspirada e inspiro seres humanos. É uma troca justa. Não sigo padrões, sou imperfeita, e estou a toda momento me construindo e desconstruindo. Isso me traz a minha verdade, alimento assim minha personalidade imperfeita que dá forma ao meu trabalho. Recebo feedbacks de homens e mulheres inspirados pela força do meu som. Muitas mulheres de fato são influenciadas pelo meu trabalho, acredito no EP ‘’129129’’ como uma obra no todo importantíssima para a música popular brasileira.

 

LARI

O que você diria para as mulheres negras que desafiam o status quo na música, arte e estilo, em termos de conselho ou encorajamento?

 

LAY

Ache a sua verdade. Acredite em você mesma, lute, consiga, tenha certeza que você está dando o seu melhor. Quando cair levante, não desista: o que é seu é seu!